Aikido e a Neurociência

A genialidade do fundador do aikido, Morihei Ueshiba, vai além da nossa imaginação.
É possível que você já tenha ouvido falar sobre o Aprendizado Motor.

Aprendizado motor é “o conjunto de processos neuronais desencadeados por treino e repetição de determinado movimento, resultando no desenvolvimento e aprimoramento da habilidade em questão com relação à precisão da ação coordenada dos grupos musculares envolvidos, à rapidez na execução da tarefa e à exatidão do movimento final”. Permite interação harmônica do indivíduo com o meio e possibilita efetuar tarefas motoras complexas, como acertar um alvo, chutar uma bola ou dançar. Esse aprendizado é resultante da interação de diversas áreas do sistema nervoso, central e periférico, as quais se comunicam através de circuitos neuronais complexos, fornecendo uma rede de informações que, condensadas, permitem a avaliação do movimento em questão e, então, a organização e execução de correções para a realização de um movimento mais adequado.”

 

Os pesquisadores Fitts & Posner, que definiram as etapas do aprendizado, nos permitem enxergar como Morihei Ueshiba já tinha essa consciência. Afinal, a evolução do praticante de Aikido ocorre em etapas:

  1. Fase Cognitiva: definida pelos pesquisadores como a fase em que o iniciante do aprendizado motor faz uso intenso da mente, comete muitos erros e não os percebe, não é capaz de fazer as correções. No Aikido, é a fase inicial e vai até aproximadamente o quinto ou quarto Kyu. Nessa fase, os praticantes fazem uso intenso do intelecto, cometem muitos erros e não percebem esses erros e necessitam de muitas orientações do instrutor, seus movimentos são pouco fluidos.
  2. Fase Associativa: fase em que o praticante ainda comete muitos erros. Embora consigam perceber alguns erros, ainda necessitam de orientações. Os praticantes de Aikido, geralmente entre o período que vai do quarto kyu a Shodan, já apresentam movimentos mais livres, conseguem executar a maioria das técnicas com razoável desenvoltura. Ainda assim, precisam de algumas orientações do sensei e conseguem perceber detalhes que necessitam de melhorias.
  3. Fase Autônoma: definida pela neurociência como a fase em que determinada habilidade torna-se rotina. A tarefa é executada com naturalidade e os erros são esporádicos e, quando acontecem, são corrigidos automaticamente. No Aikido, é possível imaginar um praticante já na faixa preta. Nessa fase, o aikidoísta começa a desenvolver uma personalidade própria em termos da arte. Ele passa a ter consciência sobre suas próprias deficiências e é capaz de perceber as causas das dificuldades dos novatos. Em alguns casos, começa a visualizar algo de essencial na arte e passa a focar no seu desenvolvimento.

Esses fatos nos indicam algumas lições que valem a pena ser consideradas:

  • A fase inicial deve ser olhada com muito carinho, pois definirá a qualidade do Aikido a ser desenvolvido nas fases seguintes. Não por acaso no Hombu Dojo, no Japão, os instrutores que preparam as turmas de iniciantes são os mais gabaritados
  • As inúmeras deficiências apresentadas na fase iniciais são naturais. Logo, os iniciantes não devem cobrados em excesso
  • A fase Autônoma no Aikido, é extremamente longa, com tendência a ir até o infinito. É a fase mais desafiadora
  • Essas noções são muito úteis aos instrutores e ajudam a orientar melhor cada aluno nos seus respectivos níveis
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